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Uma ONG para empreendedores
31.maio.2000

Tania Menai, de Nova York

Nos dias 5 e 6 de junho, o porão do Museu Brasileiro de Escultura, o Mube, em São Paulo, vai abrigar um seminário em que a gravata não será bem-vinda. Mas esse não será um evento de artistas plásticos. E sim de jovens empreendedores prestes a tirar seus sonhos do papel. O seminário, que será aberto pelo argentino Wenceslao Cesares, o Wences, de 25 anos, fundador e executivo-chefe do site de finanças para a América Latina Patagon.com, vai marcar a chegada ao Brasil da Endeavor (www.endeavor.org).

Criada por quatro americanos em 1997 e sediada em Nova York, a Endeavor (que significa "empenho") é uma organização sem fins lucrativos que se propõe a desenvolver a cultura empreendedora em economias emergentes. Nesses países, as empresas raramente contam com o capital de investidores de risco em seus primeiros anos de vida, ou com a informação e a infra-estrutura disponíveis nos Estados Unidos, onde empresas recém-criadas são responsáveis por quase 70% dos novos empregos. "Estou muito animada com o ingresso da organização no Brasil", diz Linda Rottenberg, 31 anos, uma das fundadoras da Endeavor.

Não, a Endeavor não é um fundo de investimentos, nem uma incubadora e muito menos uma consultoria. O que ela se propõe a fazer é escolher empresas - não necessariamente de Internet - com lucros anuais de até 15 milhões de dólares, burilar seus planos de negócio e conectá-las a uma rede mundial de líderes corporativos e investidores. Além disso, ela educa profissionais que mais tarde serão os garotos-propaganda do empreendedorismo no país.

Um bom exemplo disso é o próprio Wences. Ele foi selecionado pela Endeavor em 1997, quando a Patagon.com não passava de um plano de negócios. A Endeavor o ajudou a estruturar o projeto e o apresentou a investidores. Hoje, a Patagon está presente em toda a América Latina, em Portugal, na Espanha e teve 75% de suas ações compradas pelo banco Santander, que a avaliou em mais de 700 milhões de dólares.

A Endeavor brasileira será dirigida pela paulista Marília Rocca, 27 anos, que em maio recebe seu diploma de MBA da Universidade de Colúmbia, em Nova York. Ao contrário da implementação no Chile e na Argentina, a Endeavor entra no Brasil com os três primeiros anos de operações financiados por empresários nacionais. Os próprios empreendedores apoiados pela organização contribuem com 1% ou 2% de seu lucro, seguindo um modelo que visa tornar a Endeavor auto-sustentável. "Trabalhamos com voluntários que chamamos de venture corps, ou seja, líderes de indústrias-chave como consultorias, bancos de investimento, fundos de venture capital - gente com conhecimento e contatos", diz Marília. "Nosso conselho tem nomes como Carlos Alberto Sicupira, da GP Investimentos, Nizan Guanaes, do iG, e Antônio Bomcristiano, do Submarino. Os venture corps nos ajudarão a selecionar empreendedores e, posteriormente, darão assessoria aos selecionados."


[ copyright © 2004 by Tania Menai ]

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