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Não me liga!
04.abril.2001

Tania Menai, de Nova York

EXAME Edição(737) Você já deve ter passado por esta experiência: exatamente naquele precioso momento de descanso depois do jantar, ou na hora em que a heroína da novela está a ponto de aceitar a proposta de casamento do galã, ou no meio do seu banho, toca o telefone e, e do outro lado da linha, um profissional de telemarketing tenta lhe vender um cartão de crédito novo, ou um apartamento, ou um carnê de ajuda para pessoas carentes.

Console-se. Em Nova York, a situação é muito pior. Na cidade que nunca dorme, qualquer dia é dia, qualquer hora é hora para oferecer seguro de vida ou planos telefônicos que cobram apenas 10 centavos nas ligações para Mali. Desde 1998, as vendas via telemarketing nos Estados Unidos cresceram 16%, para um total de 247 milhões de dólares. A situação é tão freqüente que o episódio mais lembrado da série de TV do humorista Jerry Seinfeld é um em que ele atende ao telefone em casa e uma representante de telemarketing pergunta se ele está interessado em uma assinatura do New York Times. "Por favor, me dê o telefone da sua casa e eu ligo mais tarde para tratar do assunto", responde Seinfeld. "De jeito nenhum", diz a moça. "Aaaah, agora você sabe como estou me sentindo!", ele fala.

Pois agora os nova-iorquinos já têm uma solução para esse problema. A partir de 10 de abril, as empresas de telemarketing que incomodarem os cidadãos estarão sujeitas a levar até 2 000 dólares de multa. É que o governo do Estado adotou a "Do-not-call-list" (ou Lista do Não Ligue), uma prática que já vigora em 13 Estados americanos, totalizando mais de 1,6 milhão de números cadastrados no país. Uma vez na lista, o número de telefone fica protegido contra as chamadas de telemarketing.

"Estamos comunicando a nova lei a 30 000 das empresas de telemarketing baseadas em Nova York. Mas esta cidade é o alvo do país, todo mundo liga para cá", explica John Sorensen, porta-voz do Conselho de Proteção ao Consumidor do Estado. Se o seu número estiver registrado - pela Internet ou telefone -, o usuário poderá recorrer ao Conselho de Proteção ao Consumidor caso receba chamadas inoportunas. "Esperávamos 500 000 números cadastrados em Nova York. Ainda nem lançamos a campanha oficial de divulgação da lei e, só no boca-a-boca, já temos 900 000!", diz Sorensen.

Como funciona a proteção? Quem for incomodado reclama. Diante da queixa do usuário, as empresas terão de mostrar o registro da chamada naquele dia, naquela hora. Caso a empresa não consiga provar se a ligação foi feita ou não, fica valendo a palavra do consumidor. As multas são aplicadas na empresa de telemarketing, e não nas empresas que a contrataram. Isso porque o objetivo da lei não é punir a prática absolutamente válida do telemarketing, mas apenas as atitudes inconvenientes.

A lei não inclui, porém, chamadas feitas por empresas que venham prestando serviço ao consumidor nos últimos 18 meses, que telefonem para marcar encontros para venda de produto ou serviço, nem instituições políticas ou de caridade. Desde 1994, uma lei federal pune empresas que ligam para a casa das pessoas entre 9 da noite e 8 da manhã. A multa, de 500 dólares, vai para o bolso do consumidor. No caso da Do-not-call-list, o dinheiro vai para o Estado, para a manutenção da lei.


[ copyright © 2004 by Tania Menai ]

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